Autoral Porto União - SC

Nascimento do Caio

 Não aguentava mais com tanta ansiedade. Não conseguia dormir, sentia dor nos pés, nas costas, na barriga... eu estava até cogitando marcar uma cesárea pra acabar logo com aquilo. Já estava caminhando mais pela cidade para ver se dilatava alguma coisa, e, acreditando na história que o abacaxi ajuda a dilatar, comia muito (cheguei a comer um abacaxi inteiro sozinha de uma vez só)!


Domingo, 23 de setembro de 2017

 Acordei cedo, perto das 7 da manhã, pra fazer xixi pela trigésima vez naquela noite. Uma surpresa: o tampão mucoso saiu! Transbordei felicidade, saí correndo contar pro Ruan e pra minha mãe. Claro, nenhum deles entendeu direito o que era, mas ficaram felizes por mim. Durante a semana, comecei a sentir algumas dores na virilha e dores quando andava. Passei a achar que estava dilatando, mas apenas um palpite de mãe de primeira viagem.


Quinta-feira, 28 de setembro de 2017

 Era dia de consulta. Eu estava muito animada porque tinha uma leve impressão de que a hora estava chegando. Cheguei dizendo ao obstetra que meus avós moravam a poucos metros da maternidade, então se ele quisesse, eu ficava esperando a hora chegar. Ele fez o toque e disse "pode ficar. 2 centímetros dilatado, no máximo 1 semana". Levei um susto, comecei a rir, perguntar se era sério, e até se eu poderia vir pra São Mateus e voltar (? kkk), minha mãe e o Ruan rindo também, todo mundo nervoso! Descemos até a casa da vó pro almoço, eufóricos! O Caio já estava quase dando sinais de que ia nascer!

 O Ru e a mãe acabaram voltando pra São Mateus buscar algumas coisas, e depois disso, ela ia e voltava todo dia pra União na esperança do Caio nascer.


Sexta-feira, 29 de setembro de 2017

 Acordei de madrugada 2 vezes com contrações. Mas nada muito dolorido. E eu e o Ru caminhando pela cidade durante o dia, pra acelerar a dilatação, e eu na saga do abacaxi! 


Sábado, 30 de setembro de 2017

 No sábado pela manhã, minha mãe conversou muito com o Caio. "Caio, a vovó vai pra São Mateus pra trabalhar, mas espera a vovó! Você pode vir hoje a noite, agora a tarde não, por que como que a vovó vai trabalhar tranquila sabendo que você tá nascendo?" Ela voltou pra São Mateus, trabalhou a tarde toda.

 Abacaxi pra cá, abacaxi pra lá...

 Meu pai chegou à tarde, e já combinou uma janta com uns primos. Eu podia escolher o local, e adivinha? Restaurante mexicano! Vai que a pimenta ajuda a dilatar? Jantamos, me entupi de pimenta! Percebi que estava sentindo cólicas o dia todo, a tia Cynthia e a mãe estavam cronometrando pra ver se era contração mesmo. As cólicas iam e voltavam em intervalos irregulares, mas cerca de 1 minuto e meio entre cada uma, e duravam de 30 a 40 segundos. Estavam cada vez mais fortes, então preferi ir ao hospital pra ver se a dilatação ainda estava a mesma. Cheguei lá, as enfermeiras fizeram o toque, e continuava tudo igual, para me deixar decepcionada. Mas de qualquer forma, ligaram para o meu obstetra e ele falou pra me deixarem em observação, então fui internada e dormi no hospital naquela noite.


Domingo, 1º de outubro de 2017

 De hora em hora, as enfermeiras entravam no quarto para escutar o coraçãozinho dele, durante a noite toda. Quando foi 9h da manhã, o obstetra mandou me chamar. Fui até uma salinha, ele fez o toque e eu estava com 3 centímetros de dilatação. Ele colocou um comprimido pra dilatar, e disse que em 1h30 eu começaria a sentir contrações e que era pra avisar as enfermeiras. Dito e feito, era 10h30 da manhã e começaram as contrações. Eram como cólicas menstruais, e vinham em intervalos irregulares de mais ou menos um minuto e meio,  duravam uns 45 segundos, e incomodava bastante.

 A partir daí, eu não tenho muitas lembranças, apenas alguns flashes: minha mãe fazia massagem pra passar, eu entrava e saía debaixo do chuveiro, caminhava pela maternidade... mas parecia que nada adiantava, parecia que o tempo não passava. Lá pelas 16h eu pedi pra fazer o toque de novo. Já não aguentava mais sentir dor (ainda não sabia o que estava por vir!), e o resultado do exame foi decepcionante: só 5cm dilatados, ou seja, durante quase 6 horas eu dilatei apenas 2 centímetros. Voltei pro quarto, triste. Já comecei a desistir do parto normal, se nem com o comprimido eu estava dilatando o suficiente, imagina se ia dilatar tudo?

 Chegou 18h30 e o obstetra me chamou. "6 centímetros de dilatação, vou romper a bolsa", ele disse. Pegou um negocio que parecia uma agulha de tricô e rompeu. Senti todo aquele líquido quente saindo, como se estivesse fazendo muito xixi. Ele me mandou ir logo pra baixo do chuveiro, porque o bicho ia pegar. Cheguei no quarto, as contrações verdadeiras começaram: vomitei de tanta dor. Era horrível.

 Se o Caio não nascesse em 2 horas, eu teria que fazer cesárea. 2 horas passa tão rápido, mas não quando você está sentindo a pior dor da tua vida. Fui pro banho, dizem que ajuda a aliviar a dor. Que nada! Continuava doendo igual. O Ruan entrou comigo no box e segurava minha mão, vinha a contração e eu apertava a mão dele como nunca apertei antes, e fazia o máximo pra respirar com calma, o que era quase impossível. Alguém perguntou pra alguém onde estava o Dr e ele tinha ido à missa. Meu Deus, eu tava quase parindo, e o médico vai na missa! Quase entrei em desespero achando que não ia dar tempo kkkk ele chegou no banheiro e fez o toque de novo. 8cm dilatados! Aí sim, estava dilatando o suficiente.

 Fui pro centro obstétrico. Eram 19h26. Deitei numa maca, peguei um negócio pra vomitar e fiquei gemendo, implorando por uma cesária. A dor era simplesmente insuportável.

 Poucos minutos antes das 20h, fui andando até a sala de parto, deitei na maca. O doutor continuava com roupas normais, e eu achando que o Caio ia nascer naquela hora, que ia sujar ele inteiro. Queria fazer força, porque a vontade é imensa na hora das contrações, mas ele dizia que não, que não era a hora. "Como não é a hora? Ele tá nascendo!" eu pensava. Logo que ele colocou o avental, pediu pra fazer força e eu fiz.

 Fiz força 3 vezes e o Caio nasceu. Não chorou, fiquei nervosa achando que tinha algo errado. Levei anestesia na hora de fazer os pontos da episiotomia (confesso que não senti o médico me cortar, tanto que fiquei surpresa quando soube que ele ia costurar), mas continuava sentindo a costura, só não sentia tanta dor. Enquanto isso, o Caio era examinado pelo pediatra. O tempo todo, eu perguntava pro pediatra ou pro Ruan se ele era perfeito (quem descobriu a gravidez com quase 6 meses tem essa dúvida), se era menino mesmo, por quê ele não estava chorando...

 O Caio nasceu às 20h do dia 1º de Outubro de 2017, com 2,810kg e 47 centímetos. Ele nasceu com uma pequena fissura labial, que não interfere em nada na amamentação ou na vida dele, apenas na estética. Nesse dia, nasceu o japonês mais lindo do mundo, o fissurado mais sapeca de todos, o amor da minha vida.



Fotografia por Carolina Kato e Ruan Hino Bertelli.